Traduzir

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cicatrizes

As cicatrizes são o culminar de determinados processos de cicatrização que ocorrem na pele, quando esta é lesionada. E a pele pode ser lesionada de muitas maneiras, desde traumatismos a doenças, não esquecendo as cirurgias.

Isto é do conhecimento geral, agora o que poucos sabem é o impacto que as cicatrizes podem ter no corpo.




Primeiro que tudo as lesões na pele não são todas iguais, logo os processos de cicatrização não ocorrem todos da mesma maneira, e nem culminam todos da mesma forma. Mesmo quando o resultado são cicatrizes, isso não significa que sejam todas iguais, existem diferentes tipos de cicatrizes. 

Umas têm impacto no corpo, outras não. Isso varia em função, não só do tipo de cicatriz, como também da localização.

Quando a lesão na pele atravessa a epiderme, atravessa a derme, e chega até a lesionar a hipoderme, então vamos ter uma cicatriz que muito provavelmente terá influencia no corpo através da afetação do tecido conjuntivo. Como já expliquei na publicação tecido conjuntivo, não existem vários tecidos conjuntivos, existe apenas um que percorre todo o corpo, quando está lesionado (neste caso em concreto "cortado") tudo o resto é afetado. Perde a sua elasticidade contraindo e arrastando as estruturas em volta, na direção da contração, prejudicando também as funções metabólicas do próprio tecido conjuntivo.

E por falar em funções metabólicas, estas também podem ser prejudicadas por cicatrizes resultantes de lesões na derme. Na derme encontram-se vários receptores de informação exterior, entre outos temos os neuromioarteriais que controlam a pressão sanguínea. Quando há uma cicatriz que afeta o normal funcionamento destes receptores (por exemplo, o simples roçar da roupa na cicatriz pode desestabilizar), haverão secreções continuas de adrenalina que provocarão disturbios no metabolismo.

E se estes recetores podem ser afetados, é lógico pensarmos que os outros também serão afetados. No caso dos propriocetores, a partir do momento que se desenvolve a cicatriz, passam a ser constantemente estimulados e vão a transmitir constantemente informação incorreta sobre a tonicidade a que devem estar os músculos em volta.

Mais evidente ainda é a perda de sensibilidade que ocorre muitas vezes nas zonas em volta das cicatrizes, originada também pelo dano causado aos receptores.

Quero referir que todo este processo não ocorre do dia para a noite (salvo casos raros), regra geral demoram meses e anos a manifestarem-se os efeitos no corpo.

É preciso fazer um correta avaliação das cicatrizes, não esquecendo o historial clínico, visualização, e palpação. Um profissional de saúde capacitado consegue só através das cicatrizes que a pessoa apresenta (quando as tem, obviamente), fazer um esboço do seu quadro clínico.

E é fundamental tratar as cicatrizes, pois estas muitas vezes são as causas dos problemas, e outras vezes são obstáculos que não permitem o tratamento ter 100% de sucesso. Existem vários tipos de tratamentos para cicatrizes, que devem ser elegidos de acordo com a cicatriz e com o paciente em questão.
Quando falo em tratamento, não me refiro a fazer desaparecer a cicatriz, mas sim a fazer com que o impacto que tenha no corpo seja atenuado ou até mesmo erradicado. 

Tendo em conta tudo isto, quando se coloca a hipótese de termos de fazer uma cirurgia, convinha averiguarmos o tipo de cicatriz com que vamos ficar, se poderá advir daí alguma consequência, e o que poderemos fazer para a evitar.

Há também certos casos em que determinados sinais no corpo desenvolvem-se de tal forma que podem ter o mesmo impacto que as cicatrizes.

Sem comentários:

Enviar um comentário